O senador José Serra demonstrou hoje, mais uma vez, que não entende nada de política externa. Conforme diz a Constituição, quem decide sobre ela é o Presidente da República que por sua vez nomeia o Ministro das Relações Exteriores para auxiliá-lo.
Além disso, política externa não é apenas comércio externo. É muito mais que isso. O comércio é um componente da economia que só será bem-sucedido para o Brasil se estiver articulado com políticas domésticas corretas, o que não parece ser o caso com os recentes anúncios de austeridade, e dependerá também de uma política externa soberana com as grandes potências, o que também não parece ser o caso.
Temos muito orgulho da Política Externa Brasileira altiva e ativa que os governos Lula e Dilma implementaram e que colocou o Brasil em alta conta nas relações com os demais países e organizações internacionais, além de contribuir para o nosso desenvolvimento soberano. Aliás, trata-se se de política externa que foi aprovada pelas urnas, diferentemente da política que o chanceler interino pretende implementar; essa   sim, uma política derrotada de um partido derrotado nas urnas em 2014. O povo brasileiro há muito deixou claro não aceita entreguismo e subordinação nas relações externas.
O ilegítimo governo Temer e seus cúmplices querem retornar à política entreguista e subordinação às grandes potências que vigoravam nos governos anteriores. O que estamos assistindo é apenas o começo, pois o próximo passo será favorecer as empresas multinacionais que querem se apropriar do petróleo brasileiro do pré-sal , conforme projeto de lei apresentado pelo senador Serra, e aceitar tratados de comércio lesivos ao Brasil, conforme já anunciou.
O ministro interino quer voltar aos holofotes políticos às custas do Itamaraty e de factoides como a da posse de ontem. Nomeado por um governo ilegítimo, não consta que   tenham consultado a sociedade sobre política alguma, para dizer que vai “atender à sociedade”. Quando consultada a sociedade, em 2014, essas diretrizes ontem anunciadas foram fragorosamente derrotadas.

Monica Valente
Secretaria de Relações Internacionais
Partido dos Trabalhadores