O Brasil e a América do Sul apoiam o final rápido do …

“O recente anúncio de negociações de paz entre o Governo e as FARC é um acontecimento da mais alta relevância não só para a Colômbia, como para toda a América do Sul. Trata-se de decisão madura e patriótica; uma clara aposta no aprofundamento da democracia na Colômbia e em toda a região.
“Desde o início do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhamos de perto, com a discrição e prudência que a situação aconselhava, a evolução do conflito. Nossa posição, recorrentemente reiterada, foi a de colocar-nos sempre à disposição para ajudar na busca de uma solução negociada de paz, desde que solicitada pelo Governo colombiano. Nos últimos anos,  helicópteros de nossas Forças Armadas estiveram presentes em missões humanitárias, sobretudo no resgate de reféns libertados pelas FARC. Eu mesmo participei de missão  de garantes internacionais, que teve oacordo do Governo Uribe, na tentativa de receber prisioneiros libertados pelo grupo insurgente.
“A solução de um conflito, que dura muitas décadas e que tem raízes sociais e políticas tão profundas, não se dará num passe de mágica. Mas não pode esperar muito. A decisão de pôr fim, pela negociação, a tantos anos de sofrimento do povo colombiano demonstra maturidade mas, sobretudo, traz consigo um sentimento de urgência que não pode ser desconsiderado e esquecido.
“Historiadores e analistas políticos têm buscado lançar luz sobre este longo e difícil período da história colombiana e estou certo que continuarão a fazê-lo. Muitos estarão movidos, não só por vocação científica, mas, seguramente, por uma compreensível e louvável preocupação de que estes acontecimentos não venham a repetir-se. A expressão “nunca mais” tem sido usada com freqüência em nossa América para exorcizar períodos difíceis da vida de nossos países. Seria muito importante que os colombianos pudessem também, em um futuro próximo, dizer nunca mais em relação àqueles cruéis anos.
“Meu sentimento, que é o da Presidenta Dilma Rousseff, é de que esta nova etapa das negociações, que se abrirá em poucos dias mais em Oslo, seja capaz de manter o espírito que conduziu as partes até esta patriótica decisão. Espero que, com o cuidado necessário, a decisão da paz possa chegar no mais breve prazo possível. A urgência de chegar à paz não pode ser entendida como um capricho, mas como um imperativo por trás do qual está uma tentativa de resgatar o sofrimento das vítimas da violência e, sobretudo, o desejo de uma Colômbia que possa reunir homens e mulheres, na sua diversidade política e ideológica, em torno de instituições democráticas.”
* Marco Aurélio Garcia é Assessor-Chefe da Assessoria Especial da Presidenta Dilma Rousseff, tendo ocupado esta mesma função nos oito anos do Governo Lula da Silva.