O ato em que o PCdoB anunciou o apoio à candidatura de Fernando Hadadd em São Paulo também teve espaço para repudiar o golpe contra o agora ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo. O presidente da sigla comunista fez questão de tocar no assunto, afirmando que não se pode permitir que um precedente como este vingue na América Latina. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente no evento, concordou com Rabelo e avaliou que a democracia no Paraguai foi desrespeitada.
Renato Rabelo afirmou que as forças conservadoras nunca aceitaram a nova situação política em que vive a América Latina, com governos progressistas e democráticos, que defendem a soberania de seus países. Segundo ele, as forças oligárquicas sempre atuaram em aliança com o imperialismo para defenestrar esses governos.
O comunista lembrou o exemplo da crise ocorrida em 2005 no Brasil em decorrência do escândalo do mensalão. “Nós tivemos isso aqui em 2005”, declarou, elogiando a postura do ex-presidente Lula no episódio. “A atitude do presidente Lula foi exemplar e corajosa. Está no centro do êxito do governo Lula a liberdade política, de expressão e democrática”, afirmou.
De acordo com ele, as forças conservadoras derrubaram o presidente  do Paraguai e é preciso se solidarizar com o povo do país vizinho. “Nós não podemos ficar passivos diante de uma situação dessa. Não podemos permitir que um precedente como este vingue”, disse.
Em seguida, foi a vez do ex-presidente Lula concordar com Rabelo. “Enquanto cidadão brasileiro, acho que a democracia do Paraguai foi ferida, apesar de os senadores e deputados afirmarem que cumpriram a constituição, mas não deram tempo sequer para o presidente se defender”, declarou Lula”, no fim do evento.
“Nunca vi um julgamento sumário em que em 24 horas depuseram um presidente que levou 60 anos para ser eleito”, completou o ex-presidente brasileiro, se referindo às muitas décadas em que o Paraguai foi governado por apenas dois partidos de viés conservador.
Lula disse que agora aguarda o posicionamento que sairá das reuniões da Unasul e do Mercosul sobre o assunto. “Não adianta eu achar que foi um golpe porque eles dizem que não foi. Acho que, na avaliação da maioria dos presidentes da América Latina, a democracia foi desrespeitada porque não deram ao Lugo total direito de defesa”, analisou.
Lugo foi destituído do cargo de presidente do Paraguai na última sexta-feira, em uma decisão relâmpago do Congresso paraguaio, que não lhe deu o direito de ampla defesa. Por causa disso, muitos países, como o Brasil, convocaram seus embaixadores e condenaram a ação.
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Fonte: Vermelho