Notas sobre a Política Internacional do PT (Brasil) – 3º Edição

Apresentação

Estamos no meio de uma crise do capitalismo neoliberal, que se manifesta direta ou indiretamente em todos os terrenos: financeiro, comercial, cambial, energético, alimentar, ambiental, ideológico, social, político, militar.

Como outras crises, esta tentará provocar, para sua superação, uma imensa destruição de forças produtivas, destruição da natureza, de vidas humanas e de capital acumulado. Sacrifício que tende a se desdobrar em mais conflitos militares, crises políticas e revoltas sociais.

Não se trata apenas de uma crise econômica, no sentido estrito. Está em curso uma reacomodação geopolítica, resultante do deslocamento para o Oriente do eixo dinâmico da economia mundial.

O centro da crise está nos Estados Unidos. Não apenas por ser a principal economia capitalista, mas também por ser a potência hegemônica do mundo capitalista desde 1945 e do mundo desde 1991.

A crise amplia o questionamento da hegemonia dos Estados Unidos, que já vinha enfrentando: a) o aguçamento das contradições intercapitalistas, crescente após a derrota do bloco soviético; b) o fortalecimento de potências concorrentes, especialmente a China, de quem os EUA haviam se aproximado nos anos 1970; c) as custosas obrigações derivadas de uma hegemonia mundial.

Vivemos, portanto, um momento de profunda crise e instabilidade  internacional, que pode resultar em variados desdobramentos, num leque que vai da barbárie ao socialismo, passando por diferentes modos de organizar o capitalismo.

Não é possível saber quanto tempo durará este período de instabilidade internacional. Isto, bem como o mundo que emergirá depois, dependerá de como se articule a luta política, dentro de cada país, com a luta entre Estados e blocos regionais.

Diferente do que ocorria antes de 1945, hoje temos uma disputa entre Estados da (quase) antiga periferia e Estados do (quase) antigo centro. E, diferente do que ocorria antes de 1990, a disputa EUA/BRICS se dá nos marcos do capitalismo. Mas na América Latina e Caribenha há uma novidade a ser levada em conta: como resultado de um processo iniciado em 1998, constituiu-se na região uma forte influência da esquerda.

Esta influência da esquerda torna factível que a América Latina e Caribenha constitua-se num dos pólos do combate de natureza geopolítica que está em curso no mundo. Assim como torna factível fazer, da região, um dos espaços de reconstrução de uma alternativa social-democrata de capitalismo ou, se tivermos êxito, uma alternativa socialista ao capitalismo.

Construir uma América Latina democrática, popular e socialista dependerá de muitas variáveis, entre as quais a criação de uma cultura de massas, latinoamericana e caribenha, comprometida com ideais de esquerda.

A criação desta cultura socialista de massas supõe, para além dos aparatos materiais (casas editoriais, jornais, revistas, rádios, televisões, provedores de internet, indústria cinematográfica e fonográfica, companhias de teatro e dança, orquestas, museus, escolas e universidades etc.), que tenhamos dezenas de milhões de homens e mulheres envolvidas na produção e reprodução desta nova visão de mundo.

O que, por sua vez, supõe a construção de novas idéias, forjadas a partir da crítica às idéias e à prática do neoliberalismo, do desenvolvimentismo conservador e do colonialismo; que faça a crítica e autocrítica do nacionalismo, do desenvolvimentismo progressista e das experiências socialistas do século XX; e que compreenda a natureza do capitalismo no século XXI, enfrentando o debate clássico sobre os caminhos estratégicos para sua reforma ou para sua revolução.

Os artigos reunidos nesta coletânea, escritos entre 2005 e 2012, são uma contribuição no sentido indicado acima.

Agosto de 2012

 

Nota à terceira edição

O primeiro artigo desta coletânea, intitulado A batalha do Chile, foi escrito logo depois da vitória de Piñera. Pois bem: a guerra con-tinua. Este ano de 2013, quarenta anos depois do golpe que derru-bou o presidente Salvador Allende, ocorrem novas eleições presiden-ciais no Chile. Que a direita seja derrotada e que o novo governo se afaste do Arco do Pacífico e se aproxime mais da integração sul e latino-americana e caribenha.

Por falar em Arco do Pacífico, este e outros assuntos são tratados em textos mais recentes, que por razões de economia preferimos não incluir nesta coletânea, mas estão dsponíveis no http://www.valterpomar.blogspot.com.br/

Boa leitura.

O autor

 

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